Segurança e Salvamento em Avalanches

Segurança e Salvamento em Avalanches

O Oblast Autónomo de Gorno-Badakhshan (GBAO), uma região extremamente vulnerável a desastres naturais, tem uma longa história de ser afetado negativamente pelos efeitos de calamidades. A avalanche é um dos muitos perigos que causam acidentes catastróficos, muitas vezes levando a consequências fatais e deixando grande parte da população sem abrigo e meios de sobrevivência nesta zona montanhosa.

 

De acordo com os dados da Comissão para Situações de Emergência e Defesa Civil (CoES) do Tajiquistão, todos os anos mais de 50% das pessoas são afetadas por avalanches no GBAO, com oito vítimas mortais registadas no período de inverno de 2017-2019. Para fazer face a estes desafios, proporcionar segurança e desenvolver resiliência aos perigos naturais, a Agência Aga Khan para o Habitat (AKAH) estabeleceu 143 Equipas de Preparação para Avalanches (AVPT) no GBAO, constituídas por 1430 membros voluntários, que trabalham em conjunto com a Equipa de Busca e Salvamento da CoES.

 

Após passarem por vários treinos de preparação para avalanches, como formação e queda de avalanches, métodos de avaliação do risco de avalanche ou aplicação das estratégias e técnicas de busca e salvamento, as AVPT encontram-se bem equipadas com conhecimentos e técnicas, e estão empenhadas em atender a qualquer avalanche ou outros perigos relacionados em todo o Tajiquistão.

 

Este inverno tem sido um verdadeiro teste à capacidade de resposta de emergência e preparação das AVPT. Em dezembro e janeiro de 2019 caíram fortes nevões que causaram distúrbios significativos em todo o país. As AVPT, juntamente com as Equipas de Resposta de Emergência a Comunidades (CERT) e a Equipa de Busca e Salvamento do AKAH e da CoES, estiveram fortemente empenhadas na preparação e resposta a emergências. Até fevereiro, evacuaram mais de 5000 pessoas que viviam em zonas propensas a avalanches e alertaram precocemente as comunidades e o movimento de transportes da região.

 

Gulzorkhonov Alikhon, voluntário das AVPT, relembra uma das situações:

«Era dia 15 de janeiro e tinha nevado muito. Havia um alto risco de avalanches em toda a região. Como voluntário das AVPT, fui destacado para evacuar as comunidades da zona de alto risco de avalanche durante esse período. Eu e outros voluntários verificámos o posto da polícia na área de Nivodak em Khorog, pois está localizado numa zona propensa a avalanches. Com base nas informações recebidas de agências governamentais e nas de que dispúnhamos, havia probabilidade de avalanches nessa zona específica. Por conseguinte, avisámos oito polícias que estavam de serviço naquele dia e pedimos-lhes que se mudassem, fornecendo-lhes todas as informações que tínhamos. O posto da polícia foi transferido e exatamente nessa noite deu-se a avalanche que destruiu o posto. Eu e os outros voluntários que estavam lá comigo sentimo-nos muito orgulhosos por termos podido salvar essas oito vidas naquele dia.»

 

Medidas imediatas de precaução de segurança e preparação para avalanches tomadas pelas AVPT ajudaram a salvar muitas vidas, como se constata no caso acima, e evitaram o aumento do número de perdas de vida. Nos casos em que as pessoas estiveram desaparecidas durante as duras condições climáticas, os voluntários das AVPT foram os primeiros a ajudar na busca e recuperação.

 

No início de janeiro, duas pessoas foram dadas como desaparecidas na aldeia de Khijez, no vale de Bartang. As probabilidades de que se tornassem vítimas de uma avalanche, um perigo muito frequente nesta zona remota, eram grandes. As AVPT foram enviadas para procederem à busca e recuperação, juntamente com habitantes locais e familiares dos desaparecidos. Passaram dois dias no meio do frio e da neve para os encontrar. As hipóteses de os encontrarem vivos, no entanto, eram muito remotas. No terceiro dia, os voluntários das AVPT, juntamente com outras pessoas, recuperaram os cadáveres sob a avalanche.

 

«Quando ajudamos na busca de pessoas desaparecidas, especialmente durante condições climáticas adversas, esperamos e damos sempre o nosso melhor para encontrá-las vivas. Mas por vezes somos impotentes perante desastres naturais e temos de lidar com as suas consequências negativas, aprender com isso e fortalecer a nossa resiliência a tais catástrofes» – Firuz, voluntário das AVPT no vale de Bartang.

 

A AKAH, em estreita colaboração com a CoES, trabalha arduamente para reforçar as capacidades das AVPT através de formações no interior e ao ar livre, de maneira a que os voluntários estejam preparados para qualquer emergência relacionada com avalanches e sejam capazes de salvar o maior número possível de vidas.